É comum pensar-se que as são as
eleições que clarificam a situação política de um país, pois expressam a verdadeira
vontade do eleitorado no sentido da futura governação.
A excepção foram as eleições de
ontem, que em vez de clarificarem, só lançaram ainda mais confusão sobre a
situação política espanhola, além de confirmarem o crescimento do monstro
fascista.
Esse crescimento poderá ser ainda
mais alimentado pela indefinição a que a Espanha ficou ainda mais sujeita, não
sendo possível identificar nenhuma outra solução de Governo, que não seja o de
uma coligação PSOE-PP, partidos com mais semelhanças que diferenças.
Todas as outras possibilidades
implicariam um entendimento entre vários partidos demasiado diferentes entre
si, em coligações muito heterogéneas para sequer, ser possível pensar na sua
viabilidade.
O PSOE tem uma vitória amarga,
pois perde votos e deputados, não tendo Pedro Sánchez nenhuma solução de
Governo que lhe agrade, nem sequer uma “geringonça” em versão espanhola, por insuficiência
de votos dos possíveis parceiros. Diz-nos a experiência que, em política, as
meias vitórias facilmente se transformam em derrotas definitivas.
Apesar de ter tido uma subida de
votos e de mandatos em relação a Abril, é incontornável que o PP de Casado
perde as eleições, mais uma vez; não cumprindo os objetivos a que se propôs,
está condenado ao dilema de, ou se tornar na “muleta” de um futuro Governo do
PSOE, sofrendo as conseqüências políticas do mesmo, ou de ficar com o ónus de
lançar o país num caos político e institucional, de possíveis implicações
dramáticas para a Espanha.
O Podemos e o Ciudadanos foram
castigados, não só devido ao ego mesquinho dos seus respectivos líderes, como
acima de tudo, por se terem rendido ao sistema que em tempos, diziam combater.
Em suma, a longo prazo, ambos foram projetos que nada trouxeram de novo à
política espanhola ou europeia, não passando de “mais uns”, iguais aos que já
lá estavam.
Com projetos ocos e sem soluções que
fossem ao encontro dos verdadeiros problemas da sociedade espanhola, tais como
o desemprego, a precariedade laboral e a desigualdade de oportunidades e de
distribuição da riqueza, os partidos tradicionais possibilitaram o enorme crescimento
do Vox, partido de inspiração fascista e franquista, fomentador do ódio, da
intolerância e do racismo, que só será frenado com uma verdadeira mudança
política e económica, não ao nível da Espanha, mas ao nível europeu, pois o
fenómeno do ressurgimento do fascismo é sentido em toda a Europa.
Não esquecer que estes partidos
fascistas têm em todos os excluídos e prejudicados pelas políticas neoliberais
o seu filão de votantes, sem que a Esquerda europeia tenha vontade política de
colocar em causa esse mesmo neoliberalismo económico.
E enquanto isso não acontecer,
nuvens muito negras se perfilam no horizonte, tanto espanhol como europeu,
sendo real a possibilidade de uma longa e dolorosa noite fascista.






