Pouco tempo após os atentados de 11 de Setembro de 2001 e em claro aproveitamento político dos mesmos, o Presidente dos Estados Unidos da América, George W.Bush, vem a terreiro falar da necessidade de invasão do Iraque, alegando que o seu regime estava envolvido com a organização terrorista Al-Qaeda, algo cujo contrário já há muito se verificou.
O seu amigo Tony Blair depressa o veio apoiar nessa intenção, de um modo, ao que parece, praticamente incondicional, tal como o então Presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar e o então Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso, sendo este último protagonista devido ao único facto de ser o anfitrião da cimeira que confirmou a decisão de Bush de fazer a guerra, realizada em território português, na base das Lajes, nos Açores.
Como é evidente, a opinião pública mundial dividiu-se em relação às consequências, boas ou más, que iriam advir com a guerra no Iraque e com o derrube do ditador Saddam Hussein.
O desenrolar dos acontecimentos veio provar que as consequências foram nefastas, tanto para o povo iraquiano como para a segurança e bem-estar do ocidente, tudo levando a crer que as consequências verificadas ainda serem só a “ponta do iceberg”.
Os defensores da guerra garantiram que a mesma duraria poucas semanas, que a vitória seria total e rápida. Sabemos pela História que todas as guerras travadas ao longo dos tempos são previstas para “durar semanas” por quem as inicia, arrastando-se o conflito depois durante anos e anos sem solução à vista. Mais uma vez, infelizmente, a lição dada pela História foi ignorada e esta repetiu-se, sendo que após quase quatro anos de invasão a guerra no Iraque não tem fim nem solução à vista, parecendo que o acumular de erros está a fazer com que essa solução se torne cada vez mais distante.
Numa guerra, não é o vencedor que determina o final dos combates e a respectiva vitória, como George W.Bush se apressou a fazê-lo poucas semanas depois do início das hostilidades, “para imprensa ver”, mas sim o vencido com o seu reconhecimento de derrota e respectiva sujeição que fixa o momento do fim do conflito. Com a estrutura do estado iraquiano por e simplesmente desmantelada, chegámos à situação de que nem sequer houve vencido para reconhecer a derrota.
Em vez disso, temos um sem número de facções políticas, étnicas e religiosas que continuam a realizar uma guerra de guerrilha de baixa e média intensidade, não poucos desses grupos sendo radicais, que ao que tudo indica estão longe de ser neutralizados, bem pelo contrário, devido ao apoio que gozam de parte da população na sua luta contra um invasor estrangeiro.
Quem defendeu a invasão do Iraque invocou dois tipos de “nobres” motivos para o fazer: em primeiro lugar, a alegada posse de Armas de Destruição Massiva por parte do regime liderado por Saddam Hussein; em segundo lugar, para se derrubar o tirano e para se estabelecer um regime democrático no Iraque que servisse de exemplo para todo o Médio Oriente, entenda-se, para todo o mundo árabe…
O primeiro motivo foi um total e completo embuste. Antes da invasão, o Iraque foi visitado, ao longo de mais de uma década, por inúmeras inspecções das Nações Unidas que não encontraram o mínimo vestígio da existência de Armas de Destruição Massiva. As próprias Nações Unidas reconheceram este facto ainda antes da invasão. Depois da mesma, até os Estados Unidos e a Grã-Bretanha já vieram a público, depois de muito “procurarem”, reconhecer que não existiam quaisquer tipo de armas químicas, biológicas ou nucleares no Iraque de Saddam Hussein em 2003.
A suposta existência de Armas de Destruição Massiva no Iraque introduziu na política externa americana o perigoso conceito de “guerra preventiva”, que basicamente nos diz que antes que o adversário ataque, há que atacá-lo. É um conceito extremamente perigoso e perverso em termos de relações internacionais, pois possibilita todo o tipo de intervenções e de invasões arbitrárias em estados soberanos, sempre que o “imperador” em Washington o entenda fazer.
Não admira agora que países como o Irão e a Coreia do Norte queiram armas nucleares, pois são o único meio de evitar que lhes aconteça o que aconteceu ao Iraque: uma intervenção militar arbitrária da parte dos Estados Unidos e dos seus lacaios.
Outro motivo da invasão foi o alegado estabelecimento, após esta, da democracia no Iraque e por consequência, em todo o Médio oriente. Quase quatro anos depois, verificamos que em vez de democracia, temos no Iraque uma guerra civil étnica, sem solução à vista, que poderá levar, em última análise, ao desmembramento e divisão do estado iraquiano entre sunitas, chiitas e curdos.
É de lembrar que uma verdadeira democracia não pode ser imposta através de uma invasão estrangeira, mas sim pelos próprios povos interessados, que terão de ser os primeiros a tomar a iniciativa de lhe estabelecer e aceitar as regras. Uma democracia imposta do exterior está assim condenada ao fracasso, em qualquer lugar e circunstância.
Claro que existem motivos não confessados para a invasão de 2003. Um deles foi o domínio estratégico da região do Médio Oriente por parte dos Estados Unidos. Controlando o Iraque e o Afeganistão, seria uma questão de tempo para que o regime do Irão também cedesse ao domínio americano. O que se está a verificar é precisamente o contrário: não só o Irão aumentou a sua influência política e militar na região, e até no próprio Iraque, com o desaparecimento político de Saddam Hussein, como também a credibilidade e influência ocidentais ficaram séria e irreversivelmente afectadas.
Não esquecer que Saddam Hussein era uma espécie de “mal necessário” na garantia do equilíbrio de forças na região. Com o seu desaparecimento, o predomínio tende para o Irão dos Ayatollah e para a organização terrorista Al-Qaeda, que aproveitou a invasão de um povo árabe por um país ocidental e consequente vazio de poder, para aumentar a sua influência entre os iraquianos descontentes e revoltados pelo domínio e humilhação estrangeira.
Tudo isto é manifestamente contrário ao interesse dos Estados Unidos, que com a provocação da queda do regime iraquiano, acabaram por sair mais fracos, tanto a nível externo, como se verificou, como a nível interno, com a cada vez maior contestação à guerra no Iraque traduzida pela derrota republicana nas eleições para o Congresso em Novembro último, com a consequentemente anunciada “mudança de estratégia” para resolver a questão, ao que parece com um aumento de efectivos militares na zona de conflito e com a substituição das chefias militares no terreno.
Conclusão: mais do mesmo, numa tentativa de corrigir o incorrigível da pior maneira possível, isto é, continuando a apostar na solução militar.
Inclusivamente alegou-se que a invasão traria mais segurança ao ocidente após os atentados de 11 de Setembro. Tudo leva a crer que, mais uma vez, o efeito foi o contrário do supostamente desejado: a insegurança e o medo de atentados são maiores do que nunca, como o comprovam os atentados em Madrid a 11 de Março de 2004, com a consequente derrota eleitoral do PP, partido apoiante da intervenção espanhola na guerra do Iraque, e de 7 de Julho de 2005 em Londres. Blair já anunciou a sua retirada de primeiro-ministro para 2007, não antes de anunciar uma redução do contingente militar britânico…
Outro motivo não confessado da invasão foi os interesses económicos das multinacionais americanas, nomeadamente em relação à reconstrução do Iraque após a guerra e, claro está, à exploração de petróleo. Parece que estas empresas são as únicas a beneficiar com tudo isto, como sempre. Para desgraça da humanidade, do bom senso e dos povos.
Creio que posto tudo isto, uma resolução para a questão do Iraque não poderá passar por uma solução militar, impossível de concretizar contra as diversas guerrilhas que actuam no país.
Reconheçamos que o mal está feito, que a “caixa de Pandora” foi aberta, não existindo, neste momento, modo de inverter e anular as consequências de uma invasão que se farão sentir cada vez mais a todos os níveis, seguramente durante os próximos anos, sendo que o pior ainda está para vir…
O seu amigo Tony Blair depressa o veio apoiar nessa intenção, de um modo, ao que parece, praticamente incondicional, tal como o então Presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar e o então Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso, sendo este último protagonista devido ao único facto de ser o anfitrião da cimeira que confirmou a decisão de Bush de fazer a guerra, realizada em território português, na base das Lajes, nos Açores.
Como é evidente, a opinião pública mundial dividiu-se em relação às consequências, boas ou más, que iriam advir com a guerra no Iraque e com o derrube do ditador Saddam Hussein.
O desenrolar dos acontecimentos veio provar que as consequências foram nefastas, tanto para o povo iraquiano como para a segurança e bem-estar do ocidente, tudo levando a crer que as consequências verificadas ainda serem só a “ponta do iceberg”.
Os defensores da guerra garantiram que a mesma duraria poucas semanas, que a vitória seria total e rápida. Sabemos pela História que todas as guerras travadas ao longo dos tempos são previstas para “durar semanas” por quem as inicia, arrastando-se o conflito depois durante anos e anos sem solução à vista. Mais uma vez, infelizmente, a lição dada pela História foi ignorada e esta repetiu-se, sendo que após quase quatro anos de invasão a guerra no Iraque não tem fim nem solução à vista, parecendo que o acumular de erros está a fazer com que essa solução se torne cada vez mais distante.
Numa guerra, não é o vencedor que determina o final dos combates e a respectiva vitória, como George W.Bush se apressou a fazê-lo poucas semanas depois do início das hostilidades, “para imprensa ver”, mas sim o vencido com o seu reconhecimento de derrota e respectiva sujeição que fixa o momento do fim do conflito. Com a estrutura do estado iraquiano por e simplesmente desmantelada, chegámos à situação de que nem sequer houve vencido para reconhecer a derrota.
Em vez disso, temos um sem número de facções políticas, étnicas e religiosas que continuam a realizar uma guerra de guerrilha de baixa e média intensidade, não poucos desses grupos sendo radicais, que ao que tudo indica estão longe de ser neutralizados, bem pelo contrário, devido ao apoio que gozam de parte da população na sua luta contra um invasor estrangeiro.
Quem defendeu a invasão do Iraque invocou dois tipos de “nobres” motivos para o fazer: em primeiro lugar, a alegada posse de Armas de Destruição Massiva por parte do regime liderado por Saddam Hussein; em segundo lugar, para se derrubar o tirano e para se estabelecer um regime democrático no Iraque que servisse de exemplo para todo o Médio Oriente, entenda-se, para todo o mundo árabe…
O primeiro motivo foi um total e completo embuste. Antes da invasão, o Iraque foi visitado, ao longo de mais de uma década, por inúmeras inspecções das Nações Unidas que não encontraram o mínimo vestígio da existência de Armas de Destruição Massiva. As próprias Nações Unidas reconheceram este facto ainda antes da invasão. Depois da mesma, até os Estados Unidos e a Grã-Bretanha já vieram a público, depois de muito “procurarem”, reconhecer que não existiam quaisquer tipo de armas químicas, biológicas ou nucleares no Iraque de Saddam Hussein em 2003.
A suposta existência de Armas de Destruição Massiva no Iraque introduziu na política externa americana o perigoso conceito de “guerra preventiva”, que basicamente nos diz que antes que o adversário ataque, há que atacá-lo. É um conceito extremamente perigoso e perverso em termos de relações internacionais, pois possibilita todo o tipo de intervenções e de invasões arbitrárias em estados soberanos, sempre que o “imperador” em Washington o entenda fazer.
Não admira agora que países como o Irão e a Coreia do Norte queiram armas nucleares, pois são o único meio de evitar que lhes aconteça o que aconteceu ao Iraque: uma intervenção militar arbitrária da parte dos Estados Unidos e dos seus lacaios.
Outro motivo da invasão foi o alegado estabelecimento, após esta, da democracia no Iraque e por consequência, em todo o Médio oriente. Quase quatro anos depois, verificamos que em vez de democracia, temos no Iraque uma guerra civil étnica, sem solução à vista, que poderá levar, em última análise, ao desmembramento e divisão do estado iraquiano entre sunitas, chiitas e curdos.
É de lembrar que uma verdadeira democracia não pode ser imposta através de uma invasão estrangeira, mas sim pelos próprios povos interessados, que terão de ser os primeiros a tomar a iniciativa de lhe estabelecer e aceitar as regras. Uma democracia imposta do exterior está assim condenada ao fracasso, em qualquer lugar e circunstância.
Claro que existem motivos não confessados para a invasão de 2003. Um deles foi o domínio estratégico da região do Médio Oriente por parte dos Estados Unidos. Controlando o Iraque e o Afeganistão, seria uma questão de tempo para que o regime do Irão também cedesse ao domínio americano. O que se está a verificar é precisamente o contrário: não só o Irão aumentou a sua influência política e militar na região, e até no próprio Iraque, com o desaparecimento político de Saddam Hussein, como também a credibilidade e influência ocidentais ficaram séria e irreversivelmente afectadas.
Não esquecer que Saddam Hussein era uma espécie de “mal necessário” na garantia do equilíbrio de forças na região. Com o seu desaparecimento, o predomínio tende para o Irão dos Ayatollah e para a organização terrorista Al-Qaeda, que aproveitou a invasão de um povo árabe por um país ocidental e consequente vazio de poder, para aumentar a sua influência entre os iraquianos descontentes e revoltados pelo domínio e humilhação estrangeira.
Tudo isto é manifestamente contrário ao interesse dos Estados Unidos, que com a provocação da queda do regime iraquiano, acabaram por sair mais fracos, tanto a nível externo, como se verificou, como a nível interno, com a cada vez maior contestação à guerra no Iraque traduzida pela derrota republicana nas eleições para o Congresso em Novembro último, com a consequentemente anunciada “mudança de estratégia” para resolver a questão, ao que parece com um aumento de efectivos militares na zona de conflito e com a substituição das chefias militares no terreno.
Conclusão: mais do mesmo, numa tentativa de corrigir o incorrigível da pior maneira possível, isto é, continuando a apostar na solução militar.
Inclusivamente alegou-se que a invasão traria mais segurança ao ocidente após os atentados de 11 de Setembro. Tudo leva a crer que, mais uma vez, o efeito foi o contrário do supostamente desejado: a insegurança e o medo de atentados são maiores do que nunca, como o comprovam os atentados em Madrid a 11 de Março de 2004, com a consequente derrota eleitoral do PP, partido apoiante da intervenção espanhola na guerra do Iraque, e de 7 de Julho de 2005 em Londres. Blair já anunciou a sua retirada de primeiro-ministro para 2007, não antes de anunciar uma redução do contingente militar britânico…
Outro motivo não confessado da invasão foi os interesses económicos das multinacionais americanas, nomeadamente em relação à reconstrução do Iraque após a guerra e, claro está, à exploração de petróleo. Parece que estas empresas são as únicas a beneficiar com tudo isto, como sempre. Para desgraça da humanidade, do bom senso e dos povos.
Creio que posto tudo isto, uma resolução para a questão do Iraque não poderá passar por uma solução militar, impossível de concretizar contra as diversas guerrilhas que actuam no país.
Reconheçamos que o mal está feito, que a “caixa de Pandora” foi aberta, não existindo, neste momento, modo de inverter e anular as consequências de uma invasão que se farão sentir cada vez mais a todos os níveis, seguramente durante os próximos anos, sendo que o pior ainda está para vir…