domingo, 15 de março de 2020

Coronavírus - Medidas Urgentes e Necessárias



Acaso estarão à espera que tenhamos 5000 infecções para tomar medidas a sério contra o vírus?

Será que os interesses de meia-dúzia de operadores turísticos e de outros tantos capatazes ultramontanos se sobrepõem à saúde de todos nós?

Não será preferível que as medidas a tomar se antecipem à propagação da doença, ao invés de ser a doença a se antecipar às medidas do Governo, tal como tem acontecido até agora?

Para quando o Estado de Emergência?

- Recolher obrigatório, só sendo possível sair de casa para trabalhar ou para comprar medicamentos e/ou alimentação;

- Fecho de fronteiras, pois muitos dos que andam por aí a brincar com a saúde alheia são turistas, alguns deles vindos de países onde o vírus já se espalhou de forma generalizada;

- Tropa na rua, pois as pessoas insistem em não mudar o seu comportamento, continuando a viver como se nada estivesse a acontecer, só restando o uso do “hard power” para acabar com o irresponsável “lá-lá-land”;

- Que continuem intocáveis as liberdades de expressão e de opinião, a separação de poderes (executivo, legislativo e judicial) e o respeito pela Constituição e pelo Estado de Direito;

Porquê a tomada de medidas tão drásticas?

Porque mais cedo ou mais tarde, devido à propagação do vírus, essas medidas vão acabar por acontecer – aconteceram na China, em Itália e agora, em Espanha.

Então, é preferível que paremos já o país, enquanto o contágio ainda não assumiu contornos dramáticos, do que quando o mesmo for generalizado, com prejuízos ainda maiores para a saúde pública e para a economia, assunto tão caro a alguns.

Até para os interesses dos capatazes parolos é preferível o país parar já, por duas ou três semanas, que acabar por ter que parar na mesma, mas por mais tempo, arrastando a incerteza e o tempo dessa paragem; e com isso, afundar ainda mais a sacrossanta economia.

O segredo consiste em tomar medidas que estejam um passo à frente da propagação do vírus e não ir a reboque dos acontecimentos, sob pena da situação começar a assumir contornos cada vez mais difíceis de paliar, como temos assistido em Espanha e em Itália.

Quanto maior for o tempo de inacção, pior será para todos nós, em todos os campos.

Por conseguinte, exigem-se medidas drásticas e para ontem, pois o tempo está-se a esgotar!

Para bem de todos. Pela nossa saúde. Pela nossa vida.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Coronavírus




A disseminação do coronavírus não só nos fará lamentar os mortos pela doença, como também trará conseqüências terríveis para a civilização ocidental numa ampla e preocupante variedade de aspectos.

Para começar, a desconfiança e o medo em relação a tudo o que é estrangeiro e diferente, potenciando o racismo e a xenofobia, o que será um forte trunfo dos partidos fascistas que sempre propuseram o fecho das fronteiras e o controlo férreo sobre as atividades e as deslocações da população.

Quando os governos se preparam para fazer isso mesmo, não faltarão os que disseram “eu avisei”; resta lembrar os distraídos que eles “avisaram”, não porque previssem um qualquer coronavírus a fim de proteger a população, mas antes devido ao seu ódio a tudo quanto é pele morena e pobre.

A epidemia servirá de justificação para a restrição e inclusive, a supressão de liberdades que nós tínhamos como um dado adquirido, tais como a liberdade de deslocação, do exercício de uma profissão, da expressão de uma opinião e até, do direito a ter uma vida pessoal; é que tudo se tornará susceptível de ser sujeito a escrutínio e motivo de desconfiança uns dos outros, desde um espirro ao esconder de outra coisa qualquer, numa insuportável e mentalmente doente sociedade policial – as epidemias e o pânico que provocam na população têm o poder de ser justificação para quase todos os abusos.

Mas não ficaremos por aqui, porque no final – e a maioria de nós sobreviverá – alguém terá que pagar a conta das enormes conseqüências económicas da epidemia.

E todos sabemos que não serão os banqueiros ou os grandes empresários a pagar. Que “não foram eles os culpados pelo vírus”? A restante população também não, tal como não foi responsável pela crise financeira de 2008 mas pagou-a, como também não foi culpada pela gestão danosa dos bancos e ainda hoje os resgata.

O coronavírus servirá de pretexto para aumentar ainda mais a austeridade sobre as camadas mais pobres da população, em forma de aumento de impostos sobre o trabalho (jamais sobre o capital), no desmantelamento do que resta dos serviços públicos e numa ainda maior desregulação das leis laborais e conseqüente baixa de salários, contribuindo a epidemia, desta forma, para uma ainda maior desigualdade na distribuição da riqueza, como se não bastasse a que já existe.

Por vezes, a política é feita de sorte e de azar; o coronavírus parece ter sido feito à medida dos programas dos partidos da Direita fascista e ultraliberal, o que não augura nada de bom para a política, para a economia e para as sociedades, que ao longo dos próximos anos, pagarão o coronavírus em vidas humanas, mas também em liberdades políticas e pessoais, já para não falar no preço económico cujo ónus recairá nos mesmos de sempre.