sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A (falta) de pluralidade da nossa Democracia


 No Domingo iremos escolher entre:

- Dois candidatos de extrema-direita, ambos com projetos mal escondidos de acabar com o atual regime constitucional;

- Um candidato de Direita ultramontana e provinciana, cujo partido que o apoia está no Governo e 'flirta' descaradamente com essa mesma extrema-direita, ao ponto de já se confundir ideologicamente com ela;

- Um candidato de Direita conservadora 'à antiga', que nem sequer tem consciência política que o é, não obstante ser apoiado (e usado) por alguns elementos desse mesmo partido do Governo, nos seus ajustes de contas pessoais e partidários;

- Um candidato de centro-direita, que fica incomodado quando lhe perguntam se é ideologicamente de Esquerda, sendo nos restantes temas uma nulidade política (as tais 'abstenções violentas', de cujo conceito é autor);

- Três candidatos de Esquerda, mas que não têm a mínima hipótese de, sequer, sonhar com a segunda volta, quanto mais em ser eleitos;

E assim vai a pluralidade da nossa Democracia: apesar do número de candidatos ser grande, os mesmos falam cada vez mais em uníssono e de modo monocromático, não havendo ideias nem propostas alternativas à cartilha e à agenda política imposta pelas pseudo-elites.

Uma Democracia sem alternativa, sem debate contraditório e sem ideias diferentes, está condenada a deixar de o ser, por mais candidatos e eleições que tenhamos.

As pseudo-elites são responsáveis, porque o fazem de modo deliberado para manter o seu domínio e os seus privilégios, é só ver as linhas editoriais dos jornais e das televisões; mas a Esquerda também é responsável pela sua própria degeneração e por se ter esquecido da sua essência e da sua razão de ser e de existir.

E é por causa disso que deixou de ser capaz de influenciar o debate e a agenda política, o que, em última análise, coloca a Democracia em causa, sem precisar vir nenhum pseudo salvador da pátria que nos diga que quer acabar com essa mesma Democracia.

Imaginem agora a gravidade disto, quando esse pseudo salvador da pátria já existe e anda por aí, com possibilidades reais de ser Presidente da República...

Prefiro nem pensar nas conseqüências...