Existem locais onde a Democracia custa mais a chegar, não podendo ser considerado democrático um regime estabelecido numa comunidade relativamente fechada, onde o mesmo partido ganha eleições, desde há quarenta e tal anos.
Quando o caciquismo e o caudilhismo, aliados a uma pobreza mal escondida em estatísticas do PIB, e a uma muito desigual distribuição da riqueza, viciam todo e qualquer ato eleitoral; em que o sentido de obediência e o medo de represálias, de uns, e o ganhar a todo o custo, de outros, são mais decisivos na hora de votar, do que qualquer programa eleitoral, ideia ou proposta.
Nas eleições de ontem, ninguém se ficou a rir, pois nenhum partido ou coligação cumpriu os objetivos a que se propunha.
Uns perderam a maioria absoluta que detinham há mais de quarenta anos, num ato de coragem do povo madeirense que poderá custar caro a alguns, mas que semeou a real possibilidade de assistirmos, a médio prazo, a uma alternância de poder na Madeira, que levará, finalmente, a Democracia à ilha de Alberto João e seus seguidores.
Outros não conseguiram vencer as eleições, apesar da enorme subida de votação, algo que pode augurar uma votação histórica no PS, dentro de dias, à custa de todos os outros, pois os socialistas têm capacidade para ir buscar votos, não só ao centro e à direita, como também à sua esquerda.
Outros ainda viram a sua representação parlamentar desaparecer (BE) ou quase (CDU), ou reduzir-se a menos de metade (CDS), tendo todos perdido votos para um PS que encontrará na Madeira o alento e até o balanço para a almejada maioria absoluta, algo que, simultaneamente, será o auge político de Costa e o princípio do seu fim.
Tudo conseqüências da popularmente conhecida por “geringonça”, que não só correu com Portas e Passos Coelho, como também deu estabilidade política ao país, como ainda conseguiu conquistas sociais interessantes, embora insuficientes, nomeadamente por mérito dos seus parceiros de esquerda, BE e PCP.
Mas no fim, ganhará o PS.
