Apesar de nos dizer três ou quatro verdades de almanaque sobre
as alterações climáticas, a menina Greta Thunberg destilou um ódio e uma raiva roçando
a demagogia histérica, estando-se a fazer ao Prémio Nobel da Paz com um descaramento
que poucos tiveram, o que não ajuda numa luta que deveria ser de toda a
Humanidade.
É que ao invés de hoje estarmos a discutir o que todos deveríamos
fazer para paliar uma evidência científica, antes temos o planeta a debater se
são justificados, ou não, os gritos de uma adolescente histérica.
E mesmo depois das coisas que muito bem referiu, esqueceu-se
a Greta, de focar no principal: não são só os políticos os responsáveis pelas
emissões de CO2, mas todos nós, com o nosso modo de vida.
Ou estamos dispostos a mudar os nossos hábitos, ou não serão
os políticos os únicos responsáveis no que toca a um qualquer previsível
cataclismo.
Se lhe derem o Nobel da Paz à Greta, gostaria de saber se
vai para Oslo de barco à vela, ou se se vai aquecer apenas com cobertores,
quando receber o Prémio em Dezembro, no auge do rigoroso Inverno escandinavo…
É evidente que falta vontade política para encarar de frente
o problema das alterações climáticas e nisso, a menina Greta tem razão.
Mas só haverá vontade política quando nós, cidadãos do
mundo, tomarmos consciência que um carro, uma viagem de avião, ou outros mil
confortos dos quais não abdicamos, terão que acabar ou ser muito reduzidos, sob
pena do planeta não agüentar a predação de recursos.
Falam-se dos motores ecológicos, elétricos ou amigos do
ambiente, mas esquecem do CO2 que foi necessário para os fabricar.
Claro que devem haver regras na emissão de CO2, que se devem
aperfeiçoar e otimizar os gastos de energia e sem dúvida, os políticos têm um
papel fulcral nisso, nomeadamente no combate aos todos poderosos lobbies
económicos, que se estão a borrifar para a Terra, preferindo “otimizar os
lucros”, como dizem os manuais de economia política.
É neste último aspecto que se condena Trump e a retirada dos
Estados Unidos do Acordo de Paris.
Desde que haja vontade política, existe um mundo de soluções
alternativas às emissões de CO2; mas a mudança começa por nós próprios, pelos
nossos hábitos e comportamentos, pelo nosso modo de vida.
Depois, sem dúvida que teremos legitimidade para cobrar dos
políticos e acima de tudo, do poder económico, do qual os políticos não passam
de meros fantoches.
