terça-feira, 24 de setembro de 2019

Histeria Adolescente


Apesar de nos dizer três ou quatro verdades de almanaque sobre as alterações climáticas, a menina Greta Thunberg destilou um ódio e uma raiva roçando a demagogia histérica, estando-se a fazer ao Prémio Nobel da Paz com um descaramento que poucos tiveram, o que não ajuda numa luta que deveria ser de toda a Humanidade.


É que ao invés de hoje estarmos a discutir o que todos deveríamos fazer para paliar uma evidência científica, antes temos o planeta a debater se são justificados, ou não, os gritos de uma adolescente histérica.

E mesmo depois das coisas que muito bem referiu, esqueceu-se a Greta, de focar no principal: não são só os políticos os responsáveis pelas emissões de CO2, mas todos nós, com o nosso modo de vida.

Ou estamos dispostos a mudar os nossos hábitos, ou não serão os políticos os únicos responsáveis no que toca a um qualquer previsível cataclismo.

Se lhe derem o Nobel da Paz à Greta, gostaria de saber se vai para Oslo de barco à vela, ou se se vai aquecer apenas com cobertores, quando receber o Prémio em Dezembro, no auge do rigoroso Inverno escandinavo…

É evidente que falta vontade política para encarar de frente o problema das alterações climáticas e nisso, a menina Greta tem razão.

Mas só haverá vontade política quando nós, cidadãos do mundo, tomarmos consciência que um carro, uma viagem de avião, ou outros mil confortos dos quais não abdicamos, terão que acabar ou ser muito reduzidos, sob pena do planeta não agüentar a predação de recursos.

Falam-se dos motores ecológicos, elétricos ou amigos do ambiente, mas esquecem do CO2 que foi necessário para os fabricar.

Claro que devem haver regras na emissão de CO2, que se devem aperfeiçoar e otimizar os gastos de energia e sem dúvida, os políticos têm um papel fulcral nisso, nomeadamente no combate aos todos poderosos lobbies económicos, que se estão a borrifar para a Terra, preferindo “otimizar os lucros”, como dizem os manuais de economia política.

É neste último aspecto que se condena Trump e a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris.

Desde que haja vontade política, existe um mundo de soluções alternativas às emissões de CO2; mas a mudança começa por nós próprios, pelos nossos hábitos e comportamentos, pelo nosso modo de vida.

Depois, sem dúvida que teremos legitimidade para cobrar dos políticos e acima de tudo, do poder económico, do qual os políticos não passam de meros fantoches.