Atendendo ao historial de desejo
anexionista do fascismo espanhol, é impossível considerar este mapa peninsular
do Vox um mero lapso ou sequer falta de jeito para desenhar.
Herdeiro político de Franco,
tenta o Vox concretizar o projeto de anexação de Portugal, equacionado pelo
sátrapa em 1940 e em 1975, possuindo a mesma visão de nação imperial do
fascismo clássico.
Não são raros os académicos
espanhóis afectos a Franco, que consideram a perda de Portugal, em 1640, de um
"error histórico", pois opinam que Olivares (Primeiro-Ministro do Rei
Filipe IV) deveria ter priorizado sufocar a revolta em Portugal, do que
reprimir a da Catalunha, como veio a acontecer.
E se forem bem
"puxados" na conversa, continuam a defender a anexação de Portugal,
propondo a colocação da capital em Lisboa, para nos "prender pelo
cachaço" (Filipe II fez isso, logo a seguir a 1580), e o uso da bandeira
do antigo Reino de Aragão (por ser a mais antiga).
Ventura ou Salazar são fascistas,
mas em comparação com o extremismo exposto no parágrafo anterior, não passam de
meros aprendizes de feiticeiro!
Como é público, existem políticos
portugueses que não vêem no Vox um partido fascista; são os mesmos a quem lhes
deveria ser aberta uma janela, para voarem no sentido inverso de Carrero
Blanco, seguindo o exemplo de Vasconcelos.
É que mais grave que traírem
Portugal, traem a liberdade, a democracia, a diversidade peninsular e a
tolerância para com todos os povos, ibéricos e não só.
Se existe lição que a História
nos dá, é que a mesma não tem factos consumados nem dados adquiridos, sendo o
seu devir eterno e imprevisível.
O que hoje pode parecer algo sem
sentido, amanhã poderá tornar-se uma inevitabilidade, cabendo-nos a nós zelar
para que continue a ser um disparate.
Sabemos que a economia
globalizada se tornou demasiado forte para que sejam necessárias invasões
militares clássicas; mas também sabemos que essa mesma globalização também
proporciona um mais fácil contágio das mentes com ideias de ódio, de
intolerância, de racismo e de fascismo, com a sua inevitável componente
nacionalista e imperialista, causadora de tanto sofrimento humano ao longo dos
milénios.
Que com este mapa, o Governo
português aprenda a lição e se saiba colocar do lado certo da História, sempre
que trata a questão da Catalunha como um mero "assunto interno",
traindo Aragão e Catalunha, os nossos aliados históricos na luta contra a
hegemonia de Castela na península.
Que com este mapa, muitos que se
dizem nacionalistas, mas ao mesmo tempo apregoam a “unidad de España” na
questão catalã, percebam a ridícula contradição em que caem.
A libertação dos povos
peninsulares não está na anexação de Portugal por Espanha, pelo contrário, isso
seria o perpetuar do franquismo, do fascismo e da opressão.
A libertação de portugueses,
galegos, asturianos, bascos, catalães, aragoneses, leoneses, castelhanos e
andaluzes, encontra-se numa Ibéria de povos, federal, republicana e solidária,
sem o Bourbon e sem partidos fascistas.
