sábado, 4 de janeiro de 2020

O mapa fascista




Atendendo ao historial de desejo anexionista do fascismo espanhol, é impossível considerar este mapa peninsular do Vox um mero lapso ou sequer falta de jeito para desenhar.

Herdeiro político de Franco, tenta o Vox concretizar o projeto de anexação de Portugal, equacionado pelo sátrapa em 1940 e em 1975, possuindo a mesma visão de nação imperial do fascismo clássico.

Não são raros os académicos espanhóis afectos a Franco, que consideram a perda de Portugal, em 1640, de um "error histórico", pois opinam que Olivares (Primeiro-Ministro do Rei Filipe IV) deveria ter priorizado sufocar a revolta em Portugal, do que reprimir a da Catalunha, como veio a acontecer.

E se forem bem "puxados" na conversa, continuam a defender a anexação de Portugal, propondo a colocação da capital em Lisboa, para nos "prender pelo cachaço" (Filipe II fez isso, logo a seguir a 1580), e o uso da bandeira do antigo Reino de Aragão (por ser a mais antiga).

Ventura ou Salazar são fascistas, mas em comparação com o extremismo exposto no parágrafo anterior, não passam de meros aprendizes de feiticeiro!

Como é público, existem políticos portugueses que não vêem no Vox um partido fascista; são os mesmos a quem lhes deveria ser aberta uma janela, para voarem no sentido inverso de Carrero Blanco, seguindo o exemplo de Vasconcelos.

É que mais grave que traírem Portugal, traem a liberdade, a democracia, a diversidade peninsular e a tolerância para com todos os povos, ibéricos e não só.

Se existe lição que a História nos dá, é que a mesma não tem factos consumados nem dados adquiridos, sendo o seu devir eterno e imprevisível.

O que hoje pode parecer algo sem sentido, amanhã poderá tornar-se uma inevitabilidade, cabendo-nos a nós zelar para que continue a ser um disparate.

Sabemos que a economia globalizada se tornou demasiado forte para que sejam necessárias invasões militares clássicas; mas também sabemos que essa mesma globalização também proporciona um mais fácil contágio das mentes com ideias de ódio, de intolerância, de racismo e de fascismo, com a sua inevitável componente nacionalista e imperialista, causadora de tanto sofrimento humano ao longo dos milénios.

Que com este mapa, o Governo português aprenda a lição e se saiba colocar do lado certo da História, sempre que trata a questão da Catalunha como um mero "assunto interno", traindo Aragão e Catalunha, os nossos aliados históricos na luta contra a hegemonia de Castela na península.

Que com este mapa, muitos que se dizem nacionalistas, mas ao mesmo tempo apregoam a “unidad de España” na questão catalã, percebam a ridícula contradição em que caem.

A libertação dos povos peninsulares não está na anexação de Portugal por Espanha, pelo contrário, isso seria o perpetuar do franquismo, do fascismo e da opressão.

A libertação de portugueses, galegos, asturianos, bascos, catalães, aragoneses, leoneses, castelhanos e andaluzes, encontra-se numa Ibéria de povos, federal, republicana e solidária, sem o Bourbon e sem partidos fascistas.