domingo, 5 de janeiro de 2020

O Preço da Loucura




Nunca Trump se descreveu a si próprio de modo tão sucinto: egoísmo, soberba, arrogância e falta de humildade de alguém que prefere sempre a força bruta à negociação, ao acordo escrito ou ao respeito.

Está a precisar de uma lição de humildade e de humanidade, que o faça ver que o mundo não lhe pertence e que não faz o que quer.

Não obstante a verborreia de taberna, é impossível não reparar no dinheiro que os Estados Unidos gastam em defesa: Dois triliões de dólares, dados a ganhar a uma indústria de armamento sedenta por uma nova guerra, para conseguir novas vendas, contratos e lucros, tudo à custa do sofrimento humano de civis inocentes.

Dois triliões de dólares… quantos problemas a Humanidade não resolveria com essa quantia? Das alterações climáticas à pobreza, passando pelo combate a variadíssimas doenças ainda sem cura.

Quanto sofrimento humano não termina? Quanta exploração laboral? Quanta fome? Quantas crianças sem escola? Quantas vítimas de doenças tratáveis?

Quanto a Humanidade não progride e evolui, só para que Trump, os Estados Unidos e a sua indústria de armamento possam continuar a lucrar?

Simplesmente pornográfico.

A fim de desviar as atenções dos Estados Unidos e do mundo em relação ao seu processo de destituição, Trump optou por uma política externa agressiva, quase que provocando deliberadamente uma guerra, algo de conseqüências que ele e o seu incompetente staff são totalmente incapazes de controlar e de medir.

A irracional escalada de tensão e de retaliações, por ambos os lados, poderá originar uma guerra devastadora, cujos intervenientes não serão somente os Estados Unidos e o Irão.

Fazer uma guerra tem o seu preço e Trump parece não ter a noção que uma guerra com o Irão fará os Estados Unidos e os seus políticos pagar um preço demasiado alto para ser admissível.

Não só um preço económico e político, mas também um preço militar, humano e até geopolítico; em resumo, o que os Estados Unidos supostamente beneficiarão numa previsível vitória é muito menos do que o preço que pagarão pela mesma, concluindo-se pelo bom senso (que não impera) que não compensa fazer a guerra.

E se Trump não tem a noção disto, não passa de um louco sem condições para ser Presidente dos Estados Unidos.

Se os Estados Unidos vencerem uma guerra contra o Irão, controlando o seu petróleo e o Estreito de Ormuz, por onde passa a maioria do petróleo mundial, ganharão uma vantagem geoestratégica decisiva sobre a Rússia e a China, criando um enorme desequilíbrio de forças entre as superpotências, algo que será considerado intolerável por russos e por chineses.

Desta forma, só restará à Rússia e à China irem até às últimas conseqüências, para impedir os norte-americanos de obter essa supremacia, existindo a possibilidade real de ambos agirem militarmente contra dos Estados Unidos da América, caso estes ataquem o Irão.

Demasiado grave.

É urgente que impere a racionalidade e o bom-senso, sob pena da eclosão de uma guerra entre as grandes potências, algo que não acontece desde o final da II Guerra Mundial, em 1945.

Guerra essa que todos perderão, nem é necessário referir o motivo.