Nunca Trump se descreveu a si
próprio de modo tão sucinto: egoísmo, soberba, arrogância e falta de humildade
de alguém que prefere sempre a força bruta à negociação, ao acordo escrito ou
ao respeito.
Está a precisar de uma lição de
humildade e de humanidade, que o faça ver que o mundo não lhe pertence e que
não faz o que quer.
Não obstante a verborreia de
taberna, é impossível não reparar no dinheiro que os Estados Unidos gastam em
defesa: Dois triliões de dólares, dados a ganhar a uma indústria de armamento
sedenta por uma nova guerra, para conseguir novas vendas, contratos e lucros,
tudo à custa do sofrimento humano de civis inocentes.
Dois triliões de dólares… quantos
problemas a Humanidade não resolveria com essa quantia? Das alterações
climáticas à pobreza, passando pelo combate a variadíssimas doenças ainda sem
cura.
Quanto sofrimento humano não
termina? Quanta exploração laboral? Quanta fome? Quantas crianças sem escola? Quantas
vítimas de doenças tratáveis?
Quanto a Humanidade não progride
e evolui, só para que Trump, os Estados Unidos e a sua indústria de armamento possam
continuar a lucrar?
Simplesmente pornográfico.
A fim de desviar as atenções dos
Estados Unidos e do mundo em relação ao seu processo de destituição, Trump
optou por uma política externa agressiva, quase que provocando deliberadamente
uma guerra, algo de conseqüências que ele e o seu incompetente staff são
totalmente incapazes de controlar e de medir.
A irracional escalada de tensão e
de retaliações, por ambos os lados, poderá originar uma guerra devastadora,
cujos intervenientes não serão somente os Estados Unidos e o Irão.
Fazer uma guerra tem o seu preço
e Trump parece não ter a noção que uma guerra com o Irão fará os Estados Unidos
e os seus políticos pagar um preço demasiado alto para ser admissível.
Não só um preço económico e
político, mas também um preço militar, humano e até geopolítico; em resumo, o
que os Estados Unidos supostamente beneficiarão numa previsível vitória é muito
menos do que o preço que pagarão pela mesma, concluindo-se pelo bom senso (que
não impera) que não compensa fazer a guerra.
E se Trump não tem a noção disto,
não passa de um louco sem condições para ser Presidente dos Estados Unidos.
Se os Estados Unidos vencerem uma
guerra contra o Irão, controlando o seu petróleo e o Estreito de Ormuz, por
onde passa a maioria do petróleo mundial, ganharão uma vantagem geoestratégica
decisiva sobre a Rússia e a China, criando um enorme desequilíbrio de forças
entre as superpotências, algo que será considerado intolerável por russos e por
chineses.
Desta forma, só restará à Rússia
e à China irem até às últimas conseqüências, para impedir os norte-americanos
de obter essa supremacia, existindo a possibilidade real de ambos agirem
militarmente contra dos Estados Unidos da América, caso estes ataquem o Irão.
Demasiado grave.
É urgente que impere a racionalidade
e o bom-senso, sob pena da eclosão de uma guerra entre as grandes potências,
algo que não acontece desde o final da II Guerra Mundial, em 1945.
Guerra essa que todos perderão,
nem é necessário referir o motivo.
